Difamar e desacreditar
No tempo da ditadura, Marcelo Caetano referia-se a Mário Soares como "um obscuro advogado". Era uma forma que o antigo regime tinha para desacreditar quem combatia pela liberdade e questionava o antigo regime. Hoje, muitos portugueses limitar-se-ão a sorrir quando se lembram que essa expressão foi aplicada a um homem com o percurso político como o Dr. Mário Soares.
Curiosamente a situação repete-se hoje no Irão. E não há motivo para sorrir!
Ontem, a agência de notícias iraniana IRNA, declarou, citando "fontes bem informadas", que a filha de Shirin Ebadi – Prémio Nobel da Paz (2003) e conhecida activista dos Direitos Humanos,se tinha convertido à religião Bahá'í, há cerca de um anos atrás. Num país islâmico onde a Fé Bahá’í é uma religião proscrita, esta acusação é uma forma de desacreditar qualquer pessoa; para a mentalidade islâmica, incorre-se aqui no crime de apostasia, um crime punido com a pena de morte!
Esta acusação surgiu pouco depois de se saber que Shirin Ebadi, juntamente com outros dois advogados Abdolfatah Soltani e Hadi Esmailzadeh (ambos activistas dos Direitos Humnos) tinham aceite a defesa dos sete dirigentes bahá’ís detidos no passado mês de Maio.
Sobre as notícias postas a circular pela agência IRNA, a activista iraniana, declarou hoje: "Orgulho-me de dizer que a minha família e eu somos xiitas! Acreditamos que os Baha'is, como qualquer ser humano, tem direito a um advogado; mas isto não significa que concorde com as suas crenças. Quando defendemos um acusado político, seja «Mohajed», comunista, fundamentalista ou nacionalista, isso não significa que aprove as suas convicções. Lamento que tentem assustar-me com estas acusações só para que eu não me atreva a defender alguém".
Artigo cedido pelo Blog,